Arquivo da categoria: Contos

Neblina – Capitulo 2

Olá pessoal! Tudo bem? Fiquei muito feliz pois várias pessoas comentaram e curtiram a história, por isso resolvi postar a segunda parte.

Essa segunda parte ficou um pouco mais “arrastada” na minha opinião, mas foi necessário para desenvolver um pouco mais o personagem. Espero que vocês gostem, e se quiserem a continuação já sabem, comentem, curtam, mostrem pros amigos, só assim vou poder saber que gostaram.

Atenção: Essa é a segunda parte da história, para ler a primeira parte clique aqui.

Precisei de alguns minutos para estruturar meus pensamentos. Precisava de um tempo para o meu cérebro “digerir” todas as informações que ele havia acabado de presenciar.

O que diabos estava acontecendo?  Será que ainda estou dormindo? Isso é algum tipo de pesadelo? Sinceramente? Eu espero que seja…

Me dirigi até ao banheiro,  pensando que nada disso deveria ser real… não podia ser real… Esse é o tipo de coisa que se vê em filmes, ou vídeo games. Não na vida real.

Ao chegar no banheiro, me olhei no espelho e notei  que apesar de ter acordado a pouco tempo, estava com uma aparência de cansado, como se tivesse feito exercícios durante 1 hora ou mais. Tudo bem que dormi pouco durante a noite, mas isso não explica o estado em que me encontrava…

Lavei o rosto e as mãos, olhei bem para ver se não haviam resquícios de sangue nelas, mas não notei  nada de diferente. Talvez um pouco de sujeira, mas nem sinal de sangue, ou até mesmo terra da pedra que usei para bater na cabeça do homem. Tirei minha jaqueta e joguei no cesto de roupas sujas que fica no banheiro, não ia usar aquela jaqueta novamente com aquela baba nojenta daquele cara… Já assisti filmes de monstros suficientes para saber o que acontece quando se tem contato com essas coisas… vai que eu viro um monstro?  Ou pego alguma doença desconhecida pela medicina? Sei lá, melhor não arriscar…

Tomei um banho rápido, pensando se diria algo para minha esposa. Sempre conto tudo que acontece comigo para ela, temos uma relação muito aberta. Mas mesmo assim tive medo da reação dela. Porra, eu matei um cara! Matei, tirei a vida de uma pessoa!  Eu mesmo ainda não estava conseguindo lidar com isso, imagina a coitada da minha esposa que está dormindo.

Após acabar o banho, resolvi deitar um pouco e pensar melhor no que fazer.

Entrei no quarto, coloquei uma calça de pijama, e deitei na cama. Minha esposa estava de costas para a porta. Abracei ela e fiquei  sentindo sua respiração. Acredito que por estar cansado ainda, o som da respiração dela acabou me acalmando um pouco, e alguns minutos depois, peguei no sono.

Me acordei umas três horas depois. A primeira coisa que notei foi que minha esposa não estava mais na cama. Peguei meu celular na mesa de cabeceira e olhei as horas: 9:21 da manhã. Essa hora ela já deve estar acordada… Coloquei uma calça confortável e um casaco de moletom, e procurei por ela. Ao chegar na cozinha, notei um bilhete grudado na geladeira, dizia o seguinte: “Bom dia amor! :D Acordei e estávamos sem café, dei uma saidinha pra buscar e já volto.”

Caralho, a primeira coisa que veio a minha mente foi aquelas coisas todas que tinham acontecido na rua, e agora minha esposa estava lá sozinha. Peguei  minhas chaves, e sai para rua. Vou atrás dela, preciso saber se está tudo bem. Logo que abri a porta já notei, ela de novo, a maldita neblina que não deixa enxergar nada.  Já são quase 10:00 da manhã e ainda tem essa neblina maldita?

Sai do pátio de casa, e olhei para os dois lados na rua. Nem um sinal de vida. Realmente muito estranho, quase 10:00 da manhã, já era pra ter muitas pessoas andando pela rua. Corri para o mercadinho que tem perto da minha casa, é lá que costumamos comprar alguma coisa em caso de emergência, deve ser lá que minha mulher foi.  Corri em direção ao mercado, quando identifiquei um par de faróis vindo pela avenida, acho que foi o primeiro veiculo que vi desde a madrugada. Nem dei importância ao carro que vinha isso até ele dar uma freada brusca e jogar o carro em cima da calçada, bem na minha frente. Parei de correr bruscamente, quando desceu um homem do carro, aparentava ter entre 30 e 40 anos, estava vestindo um traje social, mas ao invés de paletó usava uma jaqueta de inverno.

-Ei cara, ta tudo bem com você?  Disse o homem se dirigindo a mim.

Notei que ele me fez essa pergunta com um ar de preocupação, receio, algo de gênero…

-Ta tudo bem sim cara, e contigo?  Respondi pra ele.

-Você sabe o que ta acontecendo?  Trabalhei a noite toda, e agora sai do trabalho e ta tudo assim… As ruas todas vazias, não vi ninguém do caminho do hospital em que trabalho até aqui!

-Também não sei! Não fui para o trabalho hoje, acordei a pouco tempo e estava tudo assim… Estou indo atrás da minha esposa que foi em um mercado aqui perto…

-Cara, eu sei que isso é estranho, até por que nunca te vi na vida, mas me dá o número do seu celular cara e eu te passo o meu, se você souber de algo, por favor, me avisa. Sei que isso é estranho, mas nunca vi nada desse tipo na vida, e sinceramente cara, estou ficando assustado. As ruas todas vazias, não consegui sintonizar nenhuma estação de rádio no carro, isso tá me parecendo algum ataque terrorista ou alguma coisa do tipo. Deus queira que não seja alguma arma química ou algo assim… Qual o seu nome?

-Gabriel, e o seu? Respondi para ele.

-Marcos, prazer. E me estendeu a mão em cumprimento.

Passei meu numero de telefone e anotei o dele nos contatos em meu aparelho celular.

-Certo cara, se você souber de algo, por favor me avisa, se eu ficar sabendo alguma coisa também te dou um toque. Disse Marcos.

-Ok cara, dirige com cuidado aí…

-Valeu, obrigado… Marcos disse, enquanto entrava novamente no carro.

Marcos deu uma ré, e voltou novamente para a estrada. Engatou a primeira marcha e partiu, enquanto fazia um sinal de positivo com a mão.

Tá aí uma coisa que ficou durante muito tempo na minha memória depois desse dia. Um encontro estranho e inusitado, muito mais estranho que as conversas casuais que acontecem em ônibus e metrôs por aí…

Voltei a andar em direção ao mercado, dessa vez com um passo apressado, pensando ainda no que Marcos tinha me dito… O que será que estava acontecendo por aqui? Não cheguei a perguntar em qual hospital ele trabalhava, mas mesmo assim, o hospital mais próximo fica a muitos quilômetros de distância, é IMPOSSÍVEL não ter ninguém no caminho até aqui…

Depois de andar mais alguns minutos, avistei o mercadinho há alguns metros de distância e com as portas abertas. Bom sinal. Deve ter alguém lá dentro. Assim que me aproximei mais, notei que havia algumas coisas caídas no chão, ao adentrar o mercado notei que haviam MUITAS coisas caídas no chão. Era como se tivessem assaltado o mercado e revirado tudo. Era um local de porte médio, então procurei no corredor onde havia artigos de jardinagem e coisas do tipo. Localizei uma pá, e resolvi pegá-la. Não sei o que aconteceu nesse lugar, mas sendo assaltantes ou sendo qualquer outra coisa, preciso estar preparado. Fui até o fundo do mercado, onde fica o açougue e não vi ninguém atrás do balcão. Onde diabos estão todas as pessoas?

Andando no fundo do mercado, é possível visualizar todos os corredores, então dei uma geral passando o olho por todos, para ver se não havia ninguém em nenhum dos corredores. No último corredor, avistei uma pessoa. Um cara com uma camiseta preta, calça jeans, e um tênis all star preto. Não parecia ter mais que 18 anos. Estava meio de costas para mim revirando uma prateleira que continha biscoitos e outros doces, mas curiosamente ele não pegava nenhum, apenas os afastava ou jogava no chão.

-Ei cara? Tá tudo bem aí? Gritei.

Foi quando ele se virou e minha direção e então pude ver. Aqueles mesmo olhos que tinha visto mais cedo, olhos embaçados, cinzas, sem vida. Estava a uns 4 metros de distância, e ao me ver emitiu um rosnado. Um rosnado animal, feroz.

Merda. Foi o que pensei quando ele começou a correr na minha direção. De novo não, vou ter que matar outra pessoa? Nessa fração de segundo enquanto pensava, ele já havia coberto metade da distância entre nós, a única coisa que consegui fazer foi erguer a pá, e tentar acertar ele com toda a minha força. Acertei-o na altura do ombro, e pude ouvir um sonoro “crack”, acho que quebrei alguma coisa no ombro do cara, mas isso não pareceu fazer diferença para ele, pois ignorando completamente o golpe de pá que levou, agilmente me desferiu um golpe com as costas de mão que me acertou entre o maxilar e o pescoço.

Doeu muito. Senti o gosto de sangue em minha boca. Tinha que acabar logo com isso, antes que pudesse me machucar mais ainda.

Aproveitei que o golpe dado por ele me fez recuar e quase me desequilibrar, para acertá-lo no meio do rosto. Com a força do golpe, a pá cravou em seu nariz destruindo a cartilagem, ele deu três passos para trás e aproveitei para acertar o seu crânio em cheio.  Senti meus braços tremerem com a força da pancada. Ele desabou no chão e aproveitei para desferir mais alguns golpes em sua cabeça. Após o terceiro a criatura já estava imóvel. Terminou. Havia matado mais uma pessoa. E no mesmo dia. Olhei para os lados e não avistei ninguém.  Corri para fora daquele lugar o mais rápido que pude.

Talvez sair dali fizesse passar o enjoo que estava sentindo. Quando sai do mercado olhei para os dois lados novamente, a procura de algum sinal de vida. Foi então que reconheci, em meio à neblina, a jaqueta rosa que minha esposa usa com frequência, a mais ou menos uns 10 metros de distância. Gritei seu nome, o mais alto que pude, mas ela parece não ter ouvido e continuou em frente. Graças a Deus, foi à única coisa que consegui pensar enquanto corria na direção dela.

O que será que vai acontecer? Será que ele vai conseguir falar com sua esposa? E o que a foda está acontecendo nessa cidade? Tudo isso e muito mais nos próximos capítulos!

É isso meus amigos! Obrigado pelo apoio, espero que gostem e até a próxima! :D

Neblina – Capitulo 1

Então pessoal, às vezes eu escrevo algumas bobagens, e ontem a noite escrevi essa história… Na verdade é meio que um conto, apesar de eu ter pensado na continuação dela… Se alguém gostar da história, quem sabe eu não  escrevo a continuação? :D

Espero que gostem.

2:30 da manhã. Acordei com latidos de cachorro, o que é normal em uma casa em que há seis deles. O que não é normal foi o barulho que ouvi depois dos latidos. Uma espécie de ganido de dor, misturado a um rosnado, um barulho diferente do que estou acostumado a ouvir.

E olha que tenho seis cachorros.

Era inicio de inverno, mas não era uma noite tão fria. Ponderei por alguns segundos os prós e os contras de ir ver o que teria sido esse barulho. Decidi por abrir a janela e dar uma olhada.

Identifiquei quatro dos meus cachorros no pátio de casa, os outros dois são pequenos e ficam do lado de dentro. Os quatro olhavam na direção do pátio do vizinho. Tentei enxergar alguma coisa, mas foi em vão, só consegui ver uma parte do terreno, e nenhum sinal dos cachorros dele. Pensei que poderia ter acontecido alguma coisa à um de seus cães, mas me desculpe, eram 2:30 da manhã, estava frio, e eu tinha que levantar para ir para o trabalho dentro de 1 hora e meia. Provavelmente não teria acontecido nada, talvez os cachorros dele tivessem brigado, ou algo do tipo, deitei novamente para aproveitar os meus últimos momentos de sono.

4:00 da manhã. O despertador tocou. Não faria muita diferença, pois desde os barulhos no meio da madrugada eu não consegui dormir mais. Ficava sempre no limiar entre o mundo dos sonhos e a realidade, meio dormindo, meio acordado, deve ter uma forma bonita e técnica de descrever esse estado mas me desculpe, eu não sei.

Acordei com a maravilhosa sensação de ter sido atropelado por um mamute. Não que eu já tenha sido atropelado por um, mas…

Tomei um banho rápido, esperando que ele sumisse com essa sensação de ter dormido apenas 30 minutos. Tomei um café da manhã vagaroso, em vários momentos minha mente passeava pelo ocorrido no meio da madrugada, já estava arrependido de não ter saído para rua e ter dado uma olhada. Sou um cara assim, tenho um coração meio mole, quando vejo um animal abandonado na rua me sinto mal, mas infelizmente não tenho como cuidar de todos, seis cães já é um número bem alto para se ter em uma casa.

Terminei o café da manhã, enquanto pensava que com certeza, esse tinha sido o café da manhã mais lento da minha vida.

Fui até o quarto e dei um beijo de despedida na testa de minha esposa, que naquele momento devia estar em um sono realmente pesado, pois geralmente ela acorda e me dá um beijo de despedida.

Nesse dia não.

Coloquei minha jaqueta impermeável, pois além de um pouco frio, caia uma fina garoa do lado de fora, mas na verdade não era exatamente uma garoa, era mais uma névoa, e bem densa. Entenda, entre a porta dos fundos de minha casa, onde eu estava no momento, e o portão da garagem não chega a haver 6 metros de distância. E eu não conseguia enxergar o portão. Apenas umas linhas difusas, que eram as grades do portão.

Respirei fundo, tranquei a porta, e parti para mais um dia de trabalho.

Enquanto saia de casa aproveitei para dar uma olhada no pátio do vizinho. Não vi nada de diferente, e inclusive não vi nenhum de seus cachorros. Deviam estar dormindo, se protegendo dessa neblina chata que encobria tudo.

Uma das coisas que realmente me deixa desconfortável, é o fato de sair muito cedo para o trabalho e não ter ninguém pelas ruas. Acredite, em um bairro afastado do centro da cidade, às 5:00 da manhã, é realmente muito difícil de ver alguém. Exceto o senhor que pega o ônibus comigo quase todo dia.

Já faz mais de um ano que saio todo dia no mesmo horário, e geralmente ele pega o mesmo ônibus que eu, que é o primeiro ônibus do dia. Às vezes trocamos algumas palavras, às vezes apenas um bom dia, e às vezes nada. Não sou um cara de puxar conversa com os outros, me sinto meio desconfortável com isso. Coloquei meus fones de ouvido, e pluguei ao meu telefone celular, mas não coloquei nenhuma música para tocar. Tenho essa mania de ficar com os fones no ouvido, mesmo quando não estou ouvindo nada, e as vezes até uso esse artificio para evitar bate-papos desnecessários com desconhecidos.

Apesar do horário, enquanto aguardo a chegada do ônibus sempre passa algum veículo, carros, motos, caminhões, com certeza trabalhadores que acordam tão cedo quanto eu. Mas nesse dia não havia passado nenhum. Até que vi, em meio aquela névoa toda, uma caminhonete de porte grande se locomovendo lentamente. Não gosto de carros que se locomovem lentamente durante a madrugada. Ao se aproximar mais de mim, identifiquei que era uma viatura de policia, provavelmente as rondas atrás de algum espertinho que quisesse se beneficiar daquela névoa para praticar algum delito.

Fiquei olhando fixamente na direção de onde vem o ônibus que estava esperando, que por sinal também é a direção de onde vem o senhor que pega a condução comigo.

Até que consegui identificar no meio daquela neblina, uma forma humana caminhando pela calçada em minha direção, vi pela fisionomia que era o senhor, meu companheiro de viagens matinais, e estava a cerca de 4 ou 5 metros de distância de mim. Quando me viu no ponto de ônibus, ele parou e me olhou, não achei tão estranho, pois nos dias de hoje andar durante a madrugada em uma situação em que quase não se enxerga nada, deve-se no mínimo ser cauteloso.

Foi então que notei duas coisas estranhas. Primeiro: ele estava me olhando com um olhar estranho. Segundo: ele estava correndo na minha direção.

Confesso que fiquei atônito, não consegui reagir de nenhuma maneira, meu corpo ficou paralisado, provavelmente aguardando alguma instrução do meu cérebro, que também deveria estar paralisado naquele momento.

Neste meio tempo, foi tempo suficiente para que o senhor se aproximasse e saltasse em minha direção. Saltasse! O velho pulou em mim!

Devido ao peso dele, cai para trás, e por sorte não bati a cabeça no chão de concreto. Foi nesse momento que tive que fazer uma coisa. Uma coisa que nunca pensei que faria em minha vida.

Mas raciocinem comigo, quando uma pessoa salta em você, e começa a tentar te bater, e pasmem te morder (!), você precisa fazer alguma coisa.

Não me lembro exatamente do que falei no momento, mas lembro que gritei algumas coisas, mas tudo que saia de sua boca eram rosnados, e uma baba nojenta que escorria pelo canto de sua boca. Além disso, seus olhos pareciam desfocados, e a íris de seu olho parecia meio apagada, meio sem vida. Não sei como prestei atenção nesses detalhes, enquanto aquele velho maldito tentava me arranhar, me morder, ou de alguma forma me causar algum dano. A única coisa que sei era que precisava fazer alguma coisa. Notei pela visão periférica, que havia alguns entulhos, desses de construção, provavelmente proveniente de alguma obra que ocorreu no ponto de ônibus, e a equipe da prefeitura não havia limpado. Mas o fato é que consegui alcançar com a mão direita um pedaço de pedra, dessas pedras usadas em construções, um pouco menor que uma bola de futebol, e inclinando o meu corpo um pouco para direita, consegui usar apenas o meu braço esquerdo para apoiar o corpo do homem, enquanto descrevi um arco com o braço direito, levando a pedra ao encontro do crânio do homem. Foram necessários três golpes com aquela pedra para que ele parasse. Ele ficou imóvel sobre o meu corpo, e tive que fazer uma forma desgraçada para tirar ele de cima de mim, mas assim que o fiz notei o estrago que tinha feito na lateral da cabeça dele. E aquilo me chocou. Fui a vida toda um pacifista, sempre tive aversão a qualquer tipo de violência, e em um momento de reflexo havia acabado de esmagar a cabeça de uma pessoa. Estranho foi que a única coisa que conseguia pensar naquele momento era na viatura de policia que havia passado antes. E se eles vissem o que acabei de fazer? Quando dei por mim estava caminhando de volta em direção a minha casa, com uma pedra suja de sangue em minha mão, e a baba daquele homem no meu casaco. Joguei a pedra em um terreno baldio que havia ali, e torci para que ninguém encontrasse impressões digitais nela, enquanto corria de volta pra casa pensando o que diabos havia acontecido há poucos minutos atrás. Por que aquele homem tentara me agredir? Por que diabos ele tentou me morder, porra?! E o que havia acontecido a ele, pois certamente aquele comportamento não parecia normal. Seriam drogas, ou algo do tipo?

Ao passar correndo em frente a casa do meu vizinho, notei uma coisa que não havia notado antes, ou talvez não estivesse lá antes, um de seus cães estava deitado e em sua barriga havia uma enorme mancha de sangue. Só descobri que era uma mancha de sangue pois as vísceras do cão estavam a mostra, senti o meu café da manhã fazendo bungee jump no meu estômago, só que aquela parte em que o elástico te trás de volta sabe? Com certeza eu teria colocado o café da manhã pra fora, se não fosse o fato de ver o meu vizinho andando pelo pátio dele, as 5 e alguma coisa da manhã, sem camisa , em um frio de uns 15°.

A primeira coisa que pensei foi que havia achado o seu animal morto, e estava tentando fazer algo a respeito disso, mas isso foi até ele virar de lado e eu ver que ele estava com o rosto repleto de sangue. Repleto de sangue. Porra ele mordeu o cachorro dele! Abaixei o mais rápido que pude, Para que ele não me notasse, e fui engatinhando até o portão da minha casa. Não abri o portão, saltei por cima do muro, e corri para a porta dos fundos. Não me pergunte o por que, mas temos essa mania de usar a porta dos fundo ao invés da porta da frente. Enquanto abria a grade da porta, ouvi um barulho nos fundos da minha casa e derrubei as chaves no chão. Na parte de trás da minha casa, tem outra casa um pouco menor e uma área de serviço.

Pensei que podia ser algum gato, ou até mesmo um dos meus cachorros na área de serviço. Mas quando ouvi outro barulho, semelhante a um pedaço de madeira caindo no chão, abri a porta como se minha vida dependesse disso. E talvez dependesse mesmo. Tranquei a grade e a porta, e encostei-me à porta de costas para ela. Finalmente relaxei a musculatura do meu corpo, e senti como se tivesse apanhado uma surra. Todos os músculos do meu corpo doíam.

Mas isso não importava, por que nunca em minha vida eu estive tão feliz de estar em casa.

É isso amigos, pelo menos a primeira parte…

Se alguém curtir, por favor, comente! :D

 

Scroll To Top