Neblina – Capitulo 1

Então pessoal, às vezes eu escrevo algumas bobagens, e ontem a noite escrevi essa história… Na verdade é meio que um conto, apesar de eu ter pensado na continuação dela… Se alguém gostar da história, quem sabe eu não  escrevo a continuação? :D

Espero que gostem.

2:30 da manhã. Acordei com latidos de cachorro, o que é normal em uma casa em que há seis deles. O que não é normal foi o barulho que ouvi depois dos latidos. Uma espécie de ganido de dor, misturado a um rosnado, um barulho diferente do que estou acostumado a ouvir.

E olha que tenho seis cachorros.

Era inicio de inverno, mas não era uma noite tão fria. Ponderei por alguns segundos os prós e os contras de ir ver o que teria sido esse barulho. Decidi por abrir a janela e dar uma olhada.

Identifiquei quatro dos meus cachorros no pátio de casa, os outros dois são pequenos e ficam do lado de dentro. Os quatro olhavam na direção do pátio do vizinho. Tentei enxergar alguma coisa, mas foi em vão, só consegui ver uma parte do terreno, e nenhum sinal dos cachorros dele. Pensei que poderia ter acontecido alguma coisa à um de seus cães, mas me desculpe, eram 2:30 da manhã, estava frio, e eu tinha que levantar para ir para o trabalho dentro de 1 hora e meia. Provavelmente não teria acontecido nada, talvez os cachorros dele tivessem brigado, ou algo do tipo, deitei novamente para aproveitar os meus últimos momentos de sono.

4:00 da manhã. O despertador tocou. Não faria muita diferença, pois desde os barulhos no meio da madrugada eu não consegui dormir mais. Ficava sempre no limiar entre o mundo dos sonhos e a realidade, meio dormindo, meio acordado, deve ter uma forma bonita e técnica de descrever esse estado mas me desculpe, eu não sei.

Acordei com a maravilhosa sensação de ter sido atropelado por um mamute. Não que eu já tenha sido atropelado por um, mas…

Tomei um banho rápido, esperando que ele sumisse com essa sensação de ter dormido apenas 30 minutos. Tomei um café da manhã vagaroso, em vários momentos minha mente passeava pelo ocorrido no meio da madrugada, já estava arrependido de não ter saído para rua e ter dado uma olhada. Sou um cara assim, tenho um coração meio mole, quando vejo um animal abandonado na rua me sinto mal, mas infelizmente não tenho como cuidar de todos, seis cães já é um número bem alto para se ter em uma casa.

Terminei o café da manhã, enquanto pensava que com certeza, esse tinha sido o café da manhã mais lento da minha vida.

Fui até o quarto e dei um beijo de despedida na testa de minha esposa, que naquele momento devia estar em um sono realmente pesado, pois geralmente ela acorda e me dá um beijo de despedida.

Nesse dia não.

Coloquei minha jaqueta impermeável, pois além de um pouco frio, caia uma fina garoa do lado de fora, mas na verdade não era exatamente uma garoa, era mais uma névoa, e bem densa. Entenda, entre a porta dos fundos de minha casa, onde eu estava no momento, e o portão da garagem não chega a haver 6 metros de distância. E eu não conseguia enxergar o portão. Apenas umas linhas difusas, que eram as grades do portão.

Respirei fundo, tranquei a porta, e parti para mais um dia de trabalho.

Enquanto saia de casa aproveitei para dar uma olhada no pátio do vizinho. Não vi nada de diferente, e inclusive não vi nenhum de seus cachorros. Deviam estar dormindo, se protegendo dessa neblina chata que encobria tudo.

Uma das coisas que realmente me deixa desconfortável, é o fato de sair muito cedo para o trabalho e não ter ninguém pelas ruas. Acredite, em um bairro afastado do centro da cidade, às 5:00 da manhã, é realmente muito difícil de ver alguém. Exceto o senhor que pega o ônibus comigo quase todo dia.

Já faz mais de um ano que saio todo dia no mesmo horário, e geralmente ele pega o mesmo ônibus que eu, que é o primeiro ônibus do dia. Às vezes trocamos algumas palavras, às vezes apenas um bom dia, e às vezes nada. Não sou um cara de puxar conversa com os outros, me sinto meio desconfortável com isso. Coloquei meus fones de ouvido, e pluguei ao meu telefone celular, mas não coloquei nenhuma música para tocar. Tenho essa mania de ficar com os fones no ouvido, mesmo quando não estou ouvindo nada, e as vezes até uso esse artificio para evitar bate-papos desnecessários com desconhecidos.

Apesar do horário, enquanto aguardo a chegada do ônibus sempre passa algum veículo, carros, motos, caminhões, com certeza trabalhadores que acordam tão cedo quanto eu. Mas nesse dia não havia passado nenhum. Até que vi, em meio aquela névoa toda, uma caminhonete de porte grande se locomovendo lentamente. Não gosto de carros que se locomovem lentamente durante a madrugada. Ao se aproximar mais de mim, identifiquei que era uma viatura de policia, provavelmente as rondas atrás de algum espertinho que quisesse se beneficiar daquela névoa para praticar algum delito.

Fiquei olhando fixamente na direção de onde vem o ônibus que estava esperando, que por sinal também é a direção de onde vem o senhor que pega a condução comigo.

Até que consegui identificar no meio daquela neblina, uma forma humana caminhando pela calçada em minha direção, vi pela fisionomia que era o senhor, meu companheiro de viagens matinais, e estava a cerca de 4 ou 5 metros de distância de mim. Quando me viu no ponto de ônibus, ele parou e me olhou, não achei tão estranho, pois nos dias de hoje andar durante a madrugada em uma situação em que quase não se enxerga nada, deve-se no mínimo ser cauteloso.

Foi então que notei duas coisas estranhas. Primeiro: ele estava me olhando com um olhar estranho. Segundo: ele estava correndo na minha direção.

Confesso que fiquei atônito, não consegui reagir de nenhuma maneira, meu corpo ficou paralisado, provavelmente aguardando alguma instrução do meu cérebro, que também deveria estar paralisado naquele momento.

Neste meio tempo, foi tempo suficiente para que o senhor se aproximasse e saltasse em minha direção. Saltasse! O velho pulou em mim!

Devido ao peso dele, cai para trás, e por sorte não bati a cabeça no chão de concreto. Foi nesse momento que tive que fazer uma coisa. Uma coisa que nunca pensei que faria em minha vida.

Mas raciocinem comigo, quando uma pessoa salta em você, e começa a tentar te bater, e pasmem te morder (!), você precisa fazer alguma coisa.

Não me lembro exatamente do que falei no momento, mas lembro que gritei algumas coisas, mas tudo que saia de sua boca eram rosnados, e uma baba nojenta que escorria pelo canto de sua boca. Além disso, seus olhos pareciam desfocados, e a íris de seu olho parecia meio apagada, meio sem vida. Não sei como prestei atenção nesses detalhes, enquanto aquele velho maldito tentava me arranhar, me morder, ou de alguma forma me causar algum dano. A única coisa que sei era que precisava fazer alguma coisa. Notei pela visão periférica, que havia alguns entulhos, desses de construção, provavelmente proveniente de alguma obra que ocorreu no ponto de ônibus, e a equipe da prefeitura não havia limpado. Mas o fato é que consegui alcançar com a mão direita um pedaço de pedra, dessas pedras usadas em construções, um pouco menor que uma bola de futebol, e inclinando o meu corpo um pouco para direita, consegui usar apenas o meu braço esquerdo para apoiar o corpo do homem, enquanto descrevi um arco com o braço direito, levando a pedra ao encontro do crânio do homem. Foram necessários três golpes com aquela pedra para que ele parasse. Ele ficou imóvel sobre o meu corpo, e tive que fazer uma forma desgraçada para tirar ele de cima de mim, mas assim que o fiz notei o estrago que tinha feito na lateral da cabeça dele. E aquilo me chocou. Fui a vida toda um pacifista, sempre tive aversão a qualquer tipo de violência, e em um momento de reflexo havia acabado de esmagar a cabeça de uma pessoa. Estranho foi que a única coisa que conseguia pensar naquele momento era na viatura de policia que havia passado antes. E se eles vissem o que acabei de fazer? Quando dei por mim estava caminhando de volta em direção a minha casa, com uma pedra suja de sangue em minha mão, e a baba daquele homem no meu casaco. Joguei a pedra em um terreno baldio que havia ali, e torci para que ninguém encontrasse impressões digitais nela, enquanto corria de volta pra casa pensando o que diabos havia acontecido há poucos minutos atrás. Por que aquele homem tentara me agredir? Por que diabos ele tentou me morder, porra?! E o que havia acontecido a ele, pois certamente aquele comportamento não parecia normal. Seriam drogas, ou algo do tipo?

Ao passar correndo em frente a casa do meu vizinho, notei uma coisa que não havia notado antes, ou talvez não estivesse lá antes, um de seus cães estava deitado e em sua barriga havia uma enorme mancha de sangue. Só descobri que era uma mancha de sangue pois as vísceras do cão estavam a mostra, senti o meu café da manhã fazendo bungee jump no meu estômago, só que aquela parte em que o elástico te trás de volta sabe? Com certeza eu teria colocado o café da manhã pra fora, se não fosse o fato de ver o meu vizinho andando pelo pátio dele, as 5 e alguma coisa da manhã, sem camisa , em um frio de uns 15°.

A primeira coisa que pensei foi que havia achado o seu animal morto, e estava tentando fazer algo a respeito disso, mas isso foi até ele virar de lado e eu ver que ele estava com o rosto repleto de sangue. Repleto de sangue. Porra ele mordeu o cachorro dele! Abaixei o mais rápido que pude, Para que ele não me notasse, e fui engatinhando até o portão da minha casa. Não abri o portão, saltei por cima do muro, e corri para a porta dos fundos. Não me pergunte o por que, mas temos essa mania de usar a porta dos fundo ao invés da porta da frente. Enquanto abria a grade da porta, ouvi um barulho nos fundos da minha casa e derrubei as chaves no chão. Na parte de trás da minha casa, tem outra casa um pouco menor e uma área de serviço.

Pensei que podia ser algum gato, ou até mesmo um dos meus cachorros na área de serviço. Mas quando ouvi outro barulho, semelhante a um pedaço de madeira caindo no chão, abri a porta como se minha vida dependesse disso. E talvez dependesse mesmo. Tranquei a grade e a porta, e encostei-me à porta de costas para ela. Finalmente relaxei a musculatura do meu corpo, e senti como se tivesse apanhado uma surra. Todos os músculos do meu corpo doíam.

Mas isso não importava, por que nunca em minha vida eu estive tão feliz de estar em casa.

É isso amigos, pelo menos a primeira parte…

Se alguém curtir, por favor, comente! :D

 

Sobre Pablo Cardoso

Mestre pokémon, rei do gado, plantador de batata e vendedor de pamonha. Formato computadores e crio ovelhas elétricas.

13 comentários

  1. axei muito bom, continue a historia :D

  2. ^^ Pô muito obrigado! Pode deixar que eu pretendo continuar sim! Abraço

  3. Porra cara mto bom o seu conto me prendeu a leitura sensacional…

  4. This is my nightmare “Silent Dead Evil Frame”.

  5. Adooorei ! continue por favor historia muito entereçante

  6. a beleza do conto e que ele e curto e surpreendente e te prende ate o final muitas vezes improvavel, e ai que mora abeleza do conto.

  7. Cara ! muito show a sua historia ,gosto muito de historias assim realmente te prende do começo ao fim.
    Por favor, continue essa historia.
    Aguardando anciosamente !

  8. NA BOA…. EU QUERO CONTINUAÇÃO

    :D

    MUITO BOM !!!!!!!!

  9. metafosforico

    Véi, na boa!

    continua isso aí!

  10. Quando você vai postar a 3º parte? muito bom seu conto :)

  11. Pablo Cardoso

    Louh, Logo, logo. Tenho metade escrito já, falta só acabar. Obrigado e que bom que gostou.

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